Montag, Juni 05, 2006

Mexia e Malevitch: a metafísica do erro

0.81

No que respeita ao post anterior, a que só posso voltar agora dado que o fim de semana foi complicado, parece que foi mais uma daquelas situações em que o horizonte de leitura é maior que o texto entre mãos (se bem que neste caso o problema era, justamente, o da ausência desse mesmo texto).

Com toda uma tradução, ainda mais muito ciosa de si, podemos analisar casos absolutamente deslumbrantes de criações de primeira linha que resultaram de meros erros. Exactamente, singelos e colossais erros.

Cito só um, porque a noite cavalga com intensidade e prontidão. E porque de alguma maneira nos diz respeito. Sartre, Jean-Paul, leitor da fenomenologia alemã nos idos de 30 e 40, principal receptor, com E. Levinas, dessa corrente em França, traduz-me, o estupor, o conceito axial da primeira fase do pensamento heideggeriano, a saber da-sein (esse mesmo que figura no título desta espelunca), por realité humaine. Vejam bem. E não se atrevam a pensar que era por falta de leitura ou por parcos recursos germanísticos. Nada disso. Ele sabia muito bem o que fazia, logo ele, e a demonstrá-lo está o escrito de Berlim de nome La Transcendance de l'Ego. Ora, este erro, crasso, despoleta, só, uma coisa que muito mais tarde ficaria conhecida como o Existencialismo. (Estou a abreviar, claro está.)

Voltando à vidinha. Sexta-feira, mesmo antes de sair, deparo-me com quatro (!) posts no Estado Civil (os mesmos de que faço os links no post anterior - outra metáfora falhada: links que não vão dar a lado nenhum...) em branco. Pensamento instantâneo: O Pedro Mexia acabou de inscrever blogosféricamente a impossibilidade de postar. Quatro vezes seguidas. Porra.

Tudo o resto é história, e, ao que parece, tudo não passou de um erro técnico do blogger, pela parte dele, e de um erro metafísico (portanto, metatécnico), pela minha interpretação do dito acontecimento. Não obstante, isto servir-me-á para qualquer coisa. Foi uma coisa que aprendi: é preciso aproveitar os erros ao máximo. Pode sempre ser o mote à contribuição ao problema do tom (ou da falta dele) que muito boa gente tem preocupado.

Eu cá já só quero que esta ressaca passe.